5 de setembro de 2012

11 de setembro versus 7 de setembro

11 de setembro versus 7 de setembro

Dia desses, me deparei pensando sobre o que eu posso fazer pela paz mundial


 

O que leva a mídia brasileira a iniciar as reportagens especiais alusivas ao trágico episódio dos atentados do World Trade Center que completam 10 anos no domingo próximo e dar tão pouco espaço às comemorações, manifestações e heróis do nosso 7 de setembro, celebrado nesta quarta-feira?

Fiquei tão “encafifado” com isso e fui ver em que dia caia o 11 de setembro neste ano e para minha surpresa caia no domingo, e por acaso há data melhor para inaugurar reportagens especiais, retrospectivas e cadernos dedicados a um tema específico do que o dia de domingo?

Conversei com amigos jornalistas que me garantiram que a minha observação estava correta, mas dado o interesse global pelo tema e as inúmeras reportagens na mídia estrangeira, principalmente americana, e a apropriação deste material por inúmeros noticiosos web acaba gerando temor nos editores no Brasil que passam a assumir uma postura defensiva do ponto de vista da concorrência e antecipam a cobertura sobre os 10 anos da tragédia.

Ora, uma bobagem, cá entre nós, se considerarmos que um veículo de comunicação deveria ter uma linha editorial clara e segui-la sem ser dominado pelo clipping das agências de noticiais globais, afinal é de domínio público que os atentados ao WTC completam 10 anos, começar a falar dele antes da concorrência e até mesmo antes da data, além de falta de patriotismo, me parece falta de assunto e reflexão por parte dos formadores de opinião.

Tenho certeza que os atentados de 11 de setembro são muito importantes. Na minha opinião inauguram o século XXI, sendo sem dúvida alguma seu grande marco e a partir de quando evidenciam-se várias mudanças nas relações internacionais, até então marcadas pela Guerra Fria ao longo de todo século XX.

No entanto, deixar de cobrir assuntos relativos ao Dia da Independência, comemorado em 7 de setembro, num país tão cheio de mazelas e peculiaridades como o nosso, não deixa de me causar certo espanto.

Tal como acontece nos EUA com seu 4 de julho, essa data faz com que todos nós, brasileiros, ricos ou pobres, negros ou brancos, paulistas ou cariocas, paremos um momento para pensar sobre os sentimentos de pertencimento, patriotismo e amor pelo país que acolheu muitos de nossos antepassados sem fazer pergunta alguma sobre a vida pregressa de todos indiscriminadamente.

Celebrar o 7 de setembro é antes de tudo, celebrar a própria brasilidade, com suas contradições, seus paradoxos e tudo isso sempre permeado por muito amor e cordialidade valores cultuados em nosso universo cultural.